
Green Envy Echinacea
Li cada palavra que havia escrito. As letras, uma a uma, foram se agrupando à minha frente e formando aquelas odiosas frases, vindas de uma mente que eu invejava. Ele a amava e eu sabia. Ela iria embora, mas e ele a desejava mesmo assim.
Imaginava seu sorriso, o dela, imensamente aberto e branco. O brilho de seus olhos ofuscando todo um quarto onde haviam acabado de se amar. Tanta luz que eu não suportaria permanecer no lugar sem óculos escuros. Um todo esplêndido e deslumbrante, ao som de um concerto barroco, música de felicidade nostálgica. Então, retornando do onírico à realidade, ele a convidaria para beber. A menina, exalando um hálito de tabaco e cerveja, diria palavras simples que o encantariam; o som de sua voz, sua fragilidade, a dependência... o pedido de ajuda! Toda aquela juventude vulgar que o tornava mais moço e potente; sentia-se forte... imprescindível!!! Suas conversas eram mágicas, disse-me uma vez. Eu nunca conseguiria reproduzir tal cena, com esse conteúdo, contorno, ritmo... De qualquer forma sempre seria ela, não eu.
Agora que se foi, somente eu restei. Que não sou mágica nem nunca serei; que não sei ser especial nem jamais saberei. Que não escrevo nem converso sobre coisas sublimes. Que sofri calada por tantos e mais anos na vida, porém, como não soube pedir ajuda, não o fiz se apaixonar.

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