terça-feira, 20 de janeiro de 2009

APOCALIPSE (1993)

APOCALIPSE (1993)

Resta
pouco
fim do
mundo
está tão
perto.
Morte
certa
para
todos.
Quase
nada
ao certo
é limpo.
Para
cada
tempo,
cada
época,
há mais
para
ser feito.
O (um) instante
nunca
foi tão
diferente.
Estranho,
como anda
toda gente,
todo povo,
muita gente...
PARE.

Pense
no pouco,
em tudo
o que
resta.

Quero
mais...
Quero
paz.

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TÉDIO (1993)

Tédio e silêncio discutem em minha mente:
“ – Oh tédio, inimigo meu,
por que tão mudo me fizeste?
Minha vida é tão monótona,
Não há no mundo quem conteste!
Expresso-me por idéias,
Pensamentos... falar não.
Não há coisa mais odiosa
Que levar a vida em vão!
Oh tédio, inimigo meu,
Nunca gostastes de mim, não?”
“ – Ah silêncio, não penses assim,
eu nunca fora inimigo teu;
quer você par mais amigo
que meu ócio e o vazio teu?
Digo, ninguém mais desolado
Existe, que eu mesmo,
Pois não és tu, o calado,
Que me fazes andar a esmo?
Não reclames, pois, seu tolo,
Ou me vou agora mesmo!”

E, após o diálogo,
Dançam debilmente um (en)fado.

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