domingo, 17 de fevereiro de 2008

Solidão



SOLIDÃO

De tanto desejar ser só
Deus me fez abandonada.
O corpo ao lado, cujo espírito
não me sabe, também eu desconheço.
Derredor feito de vultos e
sombras que não me são caros.
Às vezes a ânsia por companhia
torna a busca muito perigosa.

Amparada pela angústia
sigo em torrente desordenada.
Dores e medos desesperados
sulcam veios no trajeto errante
de uma alma despedaçada.
Solidão que me fora dada
Antes sabida que fadada
Agora que não mais a quero
É-me de todo acorrentada.

Encontrar-me onde? Tudo e todos
não me permitem ou não me querem.
Mente insana e incompreensível
não pode pedir companhia amiga.
Sigo a esmo e sozinha
o caminho de todos os tolos;
e, ao invés de chorar a ferida,
aceito a idéia singular
de ser somente apenas, mas bastante.

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