domingo, 17 de fevereiro de 2008

Solidão



SOLIDÃO

De tanto desejar ser só
Deus me fez abandonada.
O corpo ao lado, cujo espírito
não me sabe, também eu desconheço.
Derredor feito de vultos e
sombras que não me são caros.
Às vezes a ânsia por companhia
torna a busca muito perigosa.

Amparada pela angústia
sigo em torrente desordenada.
Dores e medos desesperados
sulcam veios no trajeto errante
de uma alma despedaçada.
Solidão que me fora dada
Antes sabida que fadada
Agora que não mais a quero
É-me de todo acorrentada.

Encontrar-me onde? Tudo e todos
não me permitem ou não me querem.
Mente insana e incompreensível
não pode pedir companhia amiga.
Sigo a esmo e sozinha
o caminho de todos os tolos;
e, ao invés de chorar a ferida,
aceito a idéia singular
de ser somente apenas, mas bastante.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008





A faca na mão e o pulso trêmulo... quer se matar mas não consegue. Vontades mil passam na esteira da mente, mas o motivo maior ainda não surgiu. Impossível se matar por qualquer coisa. Imagina o ridículo: "Matou-se, mas familia desconhece as razões"; ou ainda : "Provável distúrbio psiquiátrico não definido leva jovem de classe média a praticar suicídio". Isso não, definitivamente! Sua morte deve evocar não somente compaixão, mas comoção e crítica. Deve ser motivo para debates filosóficos e mesas-redondas multidisciplinares. Morte com fundamento. Que pelo menos na partida traga alguma utilidade pública, já que em vida não conseguiu. Deve pensar mais antes de se matar. Encontrar uma razão concreta, que não se dilua com o passar do tempo, perdendo o sentido. Há que ter paciência.