domingo, 20 de janeiro de 2008

Caçador de Pipas


Quando li o livro "O Caçador de Pipas",de Khaled Hosseini, há pouco menos de um ano, emocionei-me. Logo após soube que já estavam filmando a adaptação; esperei ansiosamente pelo seu lançamento . Mas decepcionei-me ao assistir ao filme. O roteiro pecou num erro primordial, que foi o de ocultar a narrativa,em primeira pessoa, do protagonista Amir. Era exatamente essa narrativa que dava o tom certo à história; Amir conta, após descrever cada fato de sua história, como se sentia, sua percepção sobre os que o cercavam, sua culpa e ressentimento pelo que fizera e deixara de fazer no passado. Relata sua relação com o pai que tanto amava, mas que percebia não amá-lo da mesma maneira; conta como destratava seu melhor amigo, Hassan, enganando-o e aproveitando-se de sua lealdade. O livro mostra que, mesmo com o passar dos anos, o sentimento de culpa e vergonha de Amir não tinham se esvaído; pelo contrário, tais sentimentos permeavam todas suas escolhas e julgamentos. Quando Amir perdoou Soraya, também o fez porque sabia que havia errado no passado, e, por esse motivo, não tinha o direito de julgar ninguém; isso foi omitido no filme (e nem ao menos pôde ser depreendido). Toda dor e sofrimento da cena em que Amir vê Hassan ser violentado, também se perdeu numa sequência rápida e superficial; faltou a profundidade da auto-crítica do protagonista, que daria muito mais emoção à passagem. Amir se auto-flagela em pensamento, por inúmeras vezes, devido à sua covardia e deslealdade em relação ao amigo.
Toda a nuance do livro foi perdida na adaptação; mesmo assim o filme continua belo. A fotografia é muito boa, a cena da competição de pipas é realmente linda.
Pergunto-me como seria ter assistido ao filme sem antes ter lido a obra.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Ano Novo

Dezembro passou em branco. Janeiro iniciou repleto.
Nem todas as notícias foram as que gostaria de receber.
Afinal de contas, a vida é cruel pra quem a vive.
Serei revolta até o fim, mesmo sabendo que deveria ser submissa.
Contra a doença há o remédio; contra a insanidade há os choques.
Mas quero ser doente e insana; e contra minha vontade há a lucidez
De todos que não me aceitam (e acho que esses todos moram juntos em minha consciência).
Nesse ano quero ser eu mesma, e gostar disso.
Na verdade, em 2008, gostaria de fazer um milagre. Pra ajudar alguém que eu amo.
Quisera ser uma santa. Mas não sou.
Então choro calada, sofrendo amiúde.
......
Deus, tenha piedade de nós.