sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Meu irmão

Hoje é aniversário do meu irmão. Aquele que Deus colocou em meu caminho pra me fazer mais paciente. Mais generosa e altruísta. Fê-lo tão diferente de mim, e ao mesmo tempo, tão próximo dos meus sentimentos. Tão meu irmão do coração.
Lembro-me de nossa infância feliz. Brincando na rua, subindo em muros e portões, passando trote telefônico, apertando campainha das casas e saindo correndo. Caindo de skate. Catando cigarra em árvore. Brigando. Até "Guerra de arrotos" fazíamos (bem antes de Jack Ass...). Até que um dia ele vomitou de tanto arrotar - não consegui parar de rir nem enquanto apanhávamos de Havaianas da nossa mãe, coitada...
Às vezes dá vontade de voltar no tempo pra reviver esses bons momentos. Mas não é necessário. Porque ainda o tenho, próximo de mim, e podemos viver muitas novas aventuras; não aquelas de outrora, mas aventuras de gente grande. Pois somos adultos ao avesso, meio (muito) crianças. E podemos nos divertir demais.
Sou muito grata por ter um irmão que me faz ser mais humana.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007



"And Jesus wept."

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Soneto de amor



"NÃO TE QUERO senão porque te quero
e de querer-te a não querer-te chego
e de esperar-te quando não te espero
passa meu coração do frio ao fogo.

Te quero só porque a ti te quero,
te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
e a medida de meu amor viageiro
é não ver-te e amar-te como um cego.

Talvez consumirá a luz de janeiro
seu raio cruel, meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego.

Nesta história só eu morro
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero, amor a sangue e fogo."
Pablo Neruda



-Sigo vivendo, sofrendo por um amor impossível...
-Pois não devias.
-Sofrer ou viver?
-Tanto faz.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Minha solidão




Outro dia um amigo me disse que eu era tão solitária quanto ele. Como se fosse privilégio nosso... Todos no mundo somos solitários. Cada um dos seres humanos. Minha solidão não é maior que a sua, que a do vizinho, ou a da senhora que está atravessando a rua em frente ao meu prédio neste instante. A minha não é pior que a do preso em sua cela ou do paciente terminal em seu leito de morte.
Necessito estar só, gosto disso. Preciso do meu eu intacto, não molestado pela exuberante presença de todos, abraços bastantes, gargalhadas de muitos, tudo vindo de todos os cantos. Quero ficar sozinha às vezes (quase sempre) pra me encontrar, ou melhor, não me perder. No meio de muitos, sinto-me despedaçar, meus cacos vão fugindo de mim, vejo um pedaço rolar pela sarjeta, outro corre e dobra a esquina, aquele lá já desceu pelo ralo... então, cadê eu???
Sozinha não sou (tão)triste. Por mais que as pessoas necessitem de amizade, há coisas que devem ser vividas e sofridas em particular. Não há no mundo colo amigo ou mão estendida que aplaque TODA a dor intrínseca de cada ser. A compaixão de outrem serve para nos provar quem realmente nos ama e quer bem; mas a dor, essa rebelde, não pode ser compartilhada com quem quer nos ajudar. Esta é indivisível e só pode ser curtida por nós mesmos, detentores do próprio sofrimento. Nosso irmão chora por compaixão, mas não é a mesma dor da gente que deveras sente. A alma de cada um é una no seu sofrer. O ombro amigo não remedia efetivamente, é placebo, ainda que necessário.
"A solidão é condição básica para a vida humana." - disse Paulo Autran certa vez em uma entrevista. Nascemos e morremos só. Ser é estar sozinho. Só então se existe.

Livro: "A Morte de Ivan Ilitch" (Leon Tolstoi), trata da solidão da morte.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007




Björk domingo TIM Festival. Show assim maravilhoso coisa linda de ser ver tipo prova que Deus existe deixa olhos marejados e garganta embargada mas mesmo assim vontade de cantar...
Só faltou Human Behaviour, que é música que mais gosto desde minha adolescência.
.........................
Deus, quando eu for gente grande eu quero ser assim igual à Björk: uma eterna criança...

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

31ª Mostra Internacional de Cinema




Hoje fui assistir a uns filmes da mostra (ufa, finalmente consegui!!!).
Começando por "O Clube de Leitura de Jane Austen", americano, de Robin Swicord. Trata de contar as histórias de seis integrantes de um clube de leitura fundado para discutir as obras de Jane Austen, escritora inglesa. História boa, personagens bem construídos, mas tem um happy ending detestavelmente happy que eu odiei. Mas valeu a sessão (ainda mais contando que pago meia-entrada!!!). Depois eu assisti a "A Via Láctea", brasileiro, de Lina Chamie.Tem o Marco Ricca no elenco, que eu acho bom. O filme é uma poesia. Contado de maneira não linear, entre idas e vindas das memórias do protagonista, um homem maduro apaixonado por uma estudante bem mais nova, entremeado de poemas de Drummond, metáforas bem sacadas e uma trilha sonora genial. Além, claro, de ter como pano de fundo a cidade de São Paulo. Muito bom mesmo. No fim da sessão cumprimentei a diretora da obra, que respondeu com um sorriso: "É um filme do coração!". Muito lindo, eu recomendo (metida, tô achando que virei crítica!!!!). Saí então do Cine Sesc, andando na chuva, entrei no Conjunto Nacional e assisti a "Caramel", no Bombril. Este filme é uma produção francesa/libanesa, que trata das vidas de quatro mulheres que trabalham em um salão de beleza. Cada personagem é uma surpresa - a que mais gostei foi Jamale, uma "coroa" que se recusa a envelhecer, parecia ter saído de um dos filmes de Almodóvar... Filme muito engraçado e, ao mesmo tempo, sensível. Por último, e o melhor de todos (no Cine Sesc de volta), "O Passado", de Babenco, com o Gael Garcia Bernal(tudo de bom). A história é ótima; a ex-mulher de Rimini (Gael) é uma louca-ciumenta-desvairada que tem como objetivo obsedar a vida do ex-marido, que por sua vez, só consegue se envolver com mulheres tão malucas quanto ela. Simplesmente genial!
Saldo do dia: positivo!!!!

quinta-feira, 18 de outubro de 2007




EU VOOOUUUUU!!!!!!!!!!!!!!!!

domingo, 7 de outubro de 2007

Björk




Esse mês tem Björk no TIM Festival. Conheci-a quando tinha uns 15 anos, há muito tempo... Finalmente vou vê-la e sentir o poder de sua voz... Assisiti novamente ao musical "Dançando no escuro" e, mais uma vez, desfiz-me em lágrimas. Belo filme. Espero que o show também o seja.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

La dolce voce






O cover do The Cardigans para a música "Sabbath Bloody Sabbath" (disco Life - 1996) é uma daquelas infâmias levadas a cabo que são muito legais. E na minha opinião, ousadia sempre vale palmas. Aplaudo novamente ao reescutá-la, onze anos após o lançamento.
Aliás, belas vozes femininas sempre merecem respeito. Mulheres que cantam bem são mais bonitas. Maria Bethania é belíssima, quem a ouviu ao vivo sabe disso. Vozes femininas elevam a alma e purificam o ambiente, inclusive o interior de nós mesmos. Vou dormir mais pura após ouvir Nina Persson...

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

A solidão é fria...






Hoje fui ao cinema e assisti "Medos Privados em Lugares Públicos" do diretor Alain Resnais. São várias éstórias de pessoas solitárias, que se interligam em determinados momentos do filme. O roteiro não tem nada de tão especial, mas a direção é muito sensível e delicada. Cenas que merecem ser destacadas: conversa entre a ruivinha pervertida e o barman, sentados na mesa da cozinha da casa dele, quando começa a nevar no interior da casa, representando o gelo daquelas almas. Outra cena interessante é o momento em que o mesmo barman explica à ruivinha perversa como seu pai havia passado a última noite antes de ir para o hospital - a câmera vai focalizando quadros e partes da casa diferentes, como que fazendo um pano de fundo para a narrativa. Muito interessante. No mais, um filme apenas bom. Mas valeu o ingresso.

terça-feira, 2 de outubro de 2007



"Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão. "

Deprimida. O treino diário da tristeza ainda me fará alcançar o estado sublime da profunda melancolia. Alma em lágrimas, motivos mil, coração despedaçado. Não vontade de existir, mas existo. Arre! E-xis-to...

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Quem sou eu?


"Sou um doido que estranha a própria alma."
Fernando Pessoa foi muito (in)feliz ao escrever tal frase... sinto-me assim, incógnita pra mim mesma. Sei que são muitos os que sentem o mesmo, a auto-estranheza, quase total desconhecimento sobre seu papel no mundo...
Quisera ser mais pragmática! Os pragmáticos (sobretudo os mais ignorantes) são MUITO mais felizes...

"Devo tomar
qualquer coisa ou
suicidar-me?
Não: vou existir.
Arre! Vou existir.
E-xis-tir...
E--xis--tir..."