quinta-feira, 26 de março de 2009

segunda-feira, 16 de março de 2009

A VOZ DO BAIRRO

São Paulo, 5 de março de 2009.


Belo Antonio mata noiva e foge


Por Adolfo Vasconcelos


Antonio Santos da Silva, 29 anos, é acusado de esfaquear a noiva, Bárbara Pereira, de 23 anos, às 22 horas do último sábado, no bairro Jardim Ângela, Zona Sul de São Paulo. Encontra-se foragido desde então. O rapaz residia no bairro e trabalhava como auxiliar de escritório num edifício comercial na Bela Vista. Considerado “ótima pessoa” pelos seus familiares e vizinhos, todos se encontram chocados com o ocorrido. Bárbara era discreta e não possuía muitas amizades na comunidade, segundo moradores locais; órfã desde os 15 anos, vivia com mais dois irmãos em um barraco na favela Caiçara e trabalhava como empregada doméstica. O corpo da jovem assassinada foi encontrado num terreno baldio próximo à casa de Antonio, onde ele morava com sua mãe e irmã mais nova. O cadáver apresentava sinais de extrema violência, como marcas de cigarro e unhas avulsionadas dos dedos das mãos e dos pés. A polícia trabalha com a hipótese de tortura. Um morador local , quando questionado pela reportagem, disse que Antonio era uma pessoa extremamente calma e dócil, além de muito bonito, o que lhe conferiu o apelido de "Belo Antonio": “Um cara do bem, não entendo como foi fazer uma desgraceira dessas....”. A mãe de Antonio, em estado de choque, não quis falar com os repórteres. Foram ouvidos outros moradores, que disseram ser “colegas” de Antonio, mas não quiseram se identificar. Um deles disse que Antonio era homossexual e fora visto beijando outros rapazes. A melhor amiga da vítima disse que o casal brigava muito, e Bárbara havia lhe contado que Antonio sofria de impotência sexual. Digressões à parte, o certo é que o caso está sendo tratado como prioridade pela polícia: “Um homem como esse não pode ficar solto pelas ruas, é provável que faça uma próxima vítima. A polícia está se empenhando muito nas investigações, que já estão bem adiantadas.” - garante o delegado Silveira da Rocha, do 47o DP, de Capão Redondo.


A Sociedade tem a VOZ

O mundo encontra-se inserido numa terrível e constante onda de violência. São poucas as famílias que nunca sofreram, direta ou indiretamente, algum caso de violência por parte dos próprios familiares ou de crimonosos. Falta educação, falta moradia, mas, principalmente, falta segurança. O caso Bárbara-Antonio ilustra bem esse descaso das autoridades públicas com a sociedade. A moça foi vista saindo da escola às 21h da noite e segundo próprio laudo da perícia legal, foi, sob a ameaça de uma arma, obrigada a caminhar por 400 ou 500 m até o terreno baldio onde teria sua vida roubada. Como poderia ninguém ter visto um rapaz com uma arma apontada para uma moça, durante um trajeto de 500 metros? Não havia realmente ninguém na rua? E se não havia, a polícia não deveria estar lá? É por essas e mais outras que eu sempre digo: falta policiamento ostensivo nas ruas de São Paulo, principalmente nas periferias, onde os casos de violência são mais frequentes. Mais uma vez vemos uma vida desperdiçada; as famílias foram eternamente desgraçadas, ninguém mais devolverá a alegria para essas pessoas que tanto a amavam. Vamos dar um basta nisso! Vamos exigir mais da polícia!
Adalberto Ramos é comerciante e filiado do ACJA (Ação Comunitária Jardim Ângela); foi candidato a vereador nas últimas eleições pelo PPPP. Contato: bertao@acja.com.br


VOZ da Psicóloga

Mais uma vez vemos uma vida ceifada inutilmente. Isso repete-se diariamente, obrigando muitas famílias a um sofrimento pungente e desnecessário. Mas, como identificar que se corre perigo, como saber que a pessoa que está ao nosso lado é um psicopata em potencial?
Vários estudos vêm sendo desenvolvidos no intuito de se identificar precocemente os sinais que nos levariam a crer que uma determinada pessoa é portadora de algum distúrbios potencialmente danoso para a sociedade. Mas, serão esses sinais fidedignos, ou apenas meros indicadores de alterações que se encontram dentro da normalidade dos indivíduos? Não se trata apenas de identificar o malfeitor, e sim, de proteger o restante da sociedade. E cabe a todos, não acusar pessoas injustamente de algo que não praticaram, nem nunca praticariam. Onde fica o papel da ciência moderna? Psiquiatras e psicólogos forenses são unânimes em afirmar que a psicopatologia se demonstra através de diversos aspectos e das mais variadas formas no doente. Alguns têm comportamento esquizóide desde a infância: não têm amigos, afastam-se das pessoas de sua idade, têm dificuldades de comunicação e muitas vezes (mas nem sempre) têm problemas escolares. Mas isso bastaria para identificar um provável assassino? Claro que não. Outros estudos mais recentes identificaram, na molécula de DNA desses assassinos, uma alteração estrutural que deve ter surgido ao longo dos anos da evolução humana, desencadeando neles um processo de agressividade exagerada e reações muito violentas perante as frustações e dificuldades da vida. Resumindo: se você, cara leitora, tem um namorado ou companheiro que apresenta reações muito agressivas ou que tem um passado de infância semelhante ao que está descrito aqui, tome cuidado. Claro que não é caso para separação imediata, muito menos para internação, mas fique atenta, você pode estar ao lado de um doente, ou pior, de um criminoso em potencial. No caso de dúvida, peça que seu companheiro procure ajuda psicológica, ou ainda, vá até uma delegacia da mulher registrar uma ocorrência, se já tiver sido vítima de alguma agressão.

Rute Radamés Rocha é psicóloga, astróloga, culinarista e escreve todas as quintas-feiras no A VOZ DO BAIRRO .
Contato: ruterocha@mundoaastral.com.br
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A VOZ DO BAIRRO é um jornal de circulação local, distribuído nos bairros Jardim Ângela, Jardim Ranieri, Jardim Herculano e Capão Redondo.